Você assiste futebol o suficiente, você vê erros de arbitragem o suficiente. Mas o que aconteceu no sábado no Vitality Stadium? Aquilo foi outra coisa. Michael Carrick, geralmente a imagem da calma na linha lateral, não se conteve após o empate em 2 a 2 do Manchester United com o Bournemouth. "Surpreendente", ele chamou as decisões de pênalti. E sabe de uma coisa? Ele está absolutamente certo. A arbitragem naquele jogo foi uma aula magistral de incompetência desconcertante, e provavelmente custou ao United dois pontos que eles precisavam desesperadamente.
Vamos analisar. Primeiro, o pênalti concedido ao Bournemouth aos 16 minutos. Bruno Fernandes, tentando bloquear um chute, definitivamente tocou a bola com a mão. Sem discussão. Mas o contato foi fora da área, claro como o dia no replay. Stuart Attwell, o homem no meio, inicialmente deu um tiro livre. Então o VAR se envolveu, e de repente, é um pênalti. Dominic Solanke o converteu, empatando o placar em 1 a 1 depois que Fernandes havia colocado o United na frente apenas cinco minutos antes. Como uma falta *fora* da área se transforma em um pênalti *dentro* da área está além da minha compreensão. Não é uma decisão subjetiva, é uma questão de fato. A bola estava fora da linha. Ponto final.
Mas espere, tem mais. Muito mais. Mais tarde, no segundo tempo, com o placar ainda em 2 a 2, o United se viu no lado errado de outra decisão incompreensível. Desta vez, foi uma entrada de Casemiro. Os replays mostraram contato mínimo, se houver, e o jogador do Bournemouth caiu como se tivesse sido baleado. Attwell apontou para a marca novamente. Sério? Desta vez, o VAR anulou, corretamente marcando um tiro livre logo fora da área. A decisão inicial foi tão flagrante que fez você se perguntar se Attwell estava assistindo a um jogo completamente diferente. Carrick, parado na linha lateral, deve ter ficado furioso. Sua equipe já havia sofrido um pênalti que não deveria ter sido, e agora eles estavam quase dando outro de presente.
A questão é que esses não são incidentes isolados. O United tem estado no lado errado de algumas arbitragens questionáveis nesta temporada. Lembra do jogo contra o Wolves em agosto? Ou o desastre do VAR contra o Tottenham em setembro? Parece que a cada duas semanas há uma nova controvérsia. Bons times superam erros de arbitragem, claro, mas quando as decisões são tão consistentemente ruins, isso começa a te desgastar. O United, que ocupa o oitavo lugar na tabela da Premier League com 50 pontos, não pode se dar ao luxo de perder pontos assim se quiser ter alguma chance de futebol europeu na próxima temporada. Eles já estão 13 pontos atrás do Aston Villa, quarto colocado. Cada ponto importa.
E honestamente, você tem que sentir por Carrick. Ele está tentando estabilizar o barco, fazer sua equipe jogar um futebol consistente. Rasmus Hojlund mostrou flashes de brilhantismo, como seu gol contra o West Ham em fevereiro, mas a equipe ainda carece de uma ameaça ofensiva consistente. Alejandro Garnacho e Kobbie Mainoo estão se desenvolvendo bem, mas são jovens. Eles precisam de liderança veterana e, mais importante, de uma arbitragem justa. Os jogadores trabalham muito, as apostas são muito altas, para que os jogos sejam decididos por erros tão gritantes.
Minha ousada previsão? Essas decisões "surpreendentes" serão a faísca que o United precisava. A frustração pública de Carrick vai galvanizar o elenco. Eles terão uma sequência de cinco jogos invictos, começando com o próximo jogo contra o Sheffield United, mostrando à liga que não serão empurrados por uma arbitragem ruim.