Lembra da temporada de estreia de Mohamed Salah no Liverpool? O cara era um código de trapaça. Ele marcou 44 gols em 52 jogos em todas as competições em 2017-18. Trinta e dois desses gols foram na Premier League, estabelecendo um novo recorde para uma temporada de 38 jogos. Ele ganhou a Chuteira de Ouro, o PFA Player of the Year e basicamente todos os outros prêmios individuais que você pode imaginar.
Mas então veio o Prêmio Puskas. O Prêmio FIFA Puskas, concedido ao gol mais esteticamente significativo do ano. Salah o ganhou por um gol contra o Everton no derby de Merseyside em 10 de dezembro de 2017. Ele pegou a bola na ponta direita, passou por dois defensores, cortou para dentro e chutou de pé esquerdo no ângulo. Foi uma beleza, sem dúvida. O Liverpool empatou aquele jogo em 1 a 1, com Wayne Rooney empatando de pênalti.
A questão é a seguinte: James Milner, companheiro de equipe de Salah, tinha uma opinião diferente. Depois que Salah ganhou o prêmio, Milner tuitou: "Parabéns Mo Salah pelo seu 7º melhor gol deste ano ganhando o gol do ano." Sete. Ele disse que nem estava entre os seis melhores gols de Salah naquela temporada. E quer saber? Milner tinha razão.
Pense em alguns dos outros golaços que Salah marcou naquele ano. O toque por cima de Alisson Becker, da Roma, na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões em Anfield, em 24 de abril de 2018? Aquilo foi pura classe. O Liverpool venceu aquele jogo por 5 a 2, com Salah marcando dois e dando duas assistências. Ou o esforço individual contra o Tottenham em Anfield, em 4 de fevereiro de 2018, onde ele driblou a defesa antes de encobrir Hugo Lloris? Outro golaço absoluto em um empate por 2 a 2. Eu diria que ambos foram tecnicamente mais difíceis e certamente mais impactantes em termos do adversário e do estado do jogo. O gol contra o Everton foi um grande momento individual, mas foi ofuscado pelo pênalti de Rooney.
O Prêmio Puskas sempre foi um pouco um concurso de popularidade. É votado pelos fãs, o que significa que momentos virais muitas vezes vencem feitos técnicos genuinamente espetaculares. Lembra do gol de escorpião de Olivier Giroud em 2017? Gol legal, mas foi realmente o melhor do ano? O gol de Salah contra o Everton tinha essa qualidade viral. Aconteceu em um grande derby, e seu poder de estrela era inegável. Ele era o novo rei de Anfield, marcando gols por diversão. A narrativa em torno dele era enorme.
Mas se estamos falando de pura arte e dificuldade futebolística, acho que Milner estava certo. O gol contra o Spurs, por exemplo, envolveu um trabalho de pés mais intrincado em um espaço mais apertado. O gol contra a Roma mostrou uma compostura incrível em uma semifinal de Liga dos Campeões de alto risco. O gol contra o Everton foi fantástico, um movimento característico de Salah, mas faltou a audácia ou a complexidade técnica de alguns de seus outros chutes daquela campanha. Foi um grande gol, apenas não *o* maior.
Falando sério, acho que o Prêmio Puskas muitas vezes recompensa o gol mais *memorável* em vez do gol *melhor*. É sobre o vídeo de melhores momentos, o momento que é reproduzido mil vezes. E o gol de Salah contra o Everton certamente se encaixou nessa descrição. Foi uma temporada fantástica para ele, uma explosão na cena da Premier League. Aquele gol foi um símbolo de sua chegada.
Este ano, prevejo que um gol de bicicleta de uma liga menos conhecida vai se infiltrar e ganhar o Puskas. Os fãs adoram uma história de azarão, e um final espetacular de fora das cinco principais ligas muitas vezes captura mais votos do que um chute clínico de um superastro.